A supervisão do cirurgião-dentista é fundamental durante todo o processo. Ele é o responsável por avaliar, indicar e conduzir o tratamento mais seguro e eficaz para cada paciente, garantindo não apenas o clareamento, mas a saúde dos dentes
A busca por um sorriso mais branco tem aumentado nos últimos anos e está ligada à percepção de como a coloração dos dentes influencia a autoestima e a autoimagem. O sorriso é uma forma de expressão e comunicação, sendo que a tonalidade dos dentes pode afetar positiva ou negativamente a forma de como o indivíduo se vê. Esse cenário tem levado muitas pessoas a procurarem tratamentos de clareamento dental. No entanto, antes de qualquer procedimento estético, é essencial verificar se a saúde bucal do paciente está em dia. Ou seja, dentes mais brancos também devem ser sinônimo de dentes saudáveis.
Por isso, o Sistema Conselhos, composto pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) e os 27 Conselhos Regionais (CROs), reforça a importância manter ou restabelecer a saúde bucal antes do clareamento. O programa CFO Esclarece destaca que o tratamento envolve processos químicos e que deve sempre ser realizado com orientação e supervisão de um cirurgião-dentista, de forma que seja assegurada a qualidade dos resultados e, principalmente, a proteção da saúde bucal. Os pacientes não devem, em hipótese alguma, recorrer a receitas caseiras ou produtos comprados na Internet.
A conselheira federal do CFO, professora, mestre e doutora em Odontologia Restauradora, Bianca Zambiasi, explica que o clareamento dental é considerado o procedimento estético clareador menos invasivo e pode devolver a confiança ao paciente, mas exige cuidados.
“É preciso verificar diversos fatores, como a possibilidade de gravidez, situação em que o clareamento não é indicado, e a idade do paciente, já que o procedimento não é recomendado para menores de 18 anos, salvo em casos excepcionais. A presença de sensibilidade prévia também deve ser avaliada, exigindo protocolos específicos. Nem todos os métodos funcionam da mesma maneira para todas as pessoas, por isso, pode ser necessário ajustar o tipo de gel, o tempo de aplicação ou a frequência das sessões”, destaca Bianca.
Desta forma, antes de iniciar o processo de clareamento, o cirurgião-dentista realizará uma avaliação detalhada, considerando as particularidades de cada paciente.
“É fundamental fazer uma anamnese cuidadosa antes do tratamento e um exame clínico para verificar se o paciente está com a saúde bucal em dia e se não existem fatores que contraindiquem o tratamento no momento, como a presença de lesões inflamatórias, lesões de cárie, dentes fraturados ou áreas de exposição de raiz. Para bons resultados, o profissional deve levar em conta hábitos, condição clínica e expectativas do paciente, esclarecendo, por exemplo, que dentes com tratamento de canal podem exigir protocolos específicos”, pontua a cirurgiã-dentista Deborah Stona, professora, mestre e doutora em Dentística Restauradora.
Supervisão profissional é fundamental
O clareamento geralmente é indicado para pessoas com dentes naturais que apresentam algum tipo de escurecimento, seja por fatores externos como bebidas pigmentadas, tabagismo e exposição a corantes, ou internos, como traumas, lesões de cárie, tratamentos de canal e envelhecimento dental. O procedimento consiste na aplicação de um gel nos dentes do paciente, para quebra das moléculas responsáveis pelo escurecimento, removendo pigmentos acumulados ao longo do tempo.
Por se tratar de um processo químico, é fundamental que o tratamento seja feito exclusivamente com indicação e supervisão profissional. Inicialmente, o cirurgião-dentista fará uma avaliação do quadro clínico do paciente e, caso haja necessidade, realizará outros tratamentos odontológicos antes do clareamento. Além disso, apenas o profissional tem condições de avaliar se o tratamento será eficaz, já que o gel não tem efeito em restaurações e próteses dentárias.
“Se houver algum problema bucal, este precisa ser solucionado antes do clareamento, pois cavidades, inflamações gengivais e sensibilidades prévias podem se agravar durante o tratamento, causando dor ou riscos à saúde da boca. Então, os pacientes devem estar conscientes de que o clareamento só pode ser realizado com indicação profissional. O cirurgião-dentista tomará as medidas necessárias para que o procedimento seja feito de forma segura”, reforça Bianca Zambiasi.
Os pacientes não devem, em hipótese alguma, fazer receitas caseiras para clarear dentes ou usar produtos clareadores comprados na Internet. Entre os maiores riscos estão a possibilidade de danos irreversíveis à gengiva e aos tecidos dentários. Além disso, alguns produtos vendidos como “clareadores” geralmente não promovem clareamento real: na maioria das vezes, são substâncias abrasivas que removem apenas pigmentos superficiais, desgastam o esmalte e aumentam a sensibilidade, podendo comprometer a estrutura dental a longo prazo.
Métodos de clareamento dental
Para recuperar ou chegar a um resultado próximo à cor natural dos dentes, existem três principais métodos de clareamento: o caseiro supervisionado, realizado com moldeiras e gel de baixa concentração; o clareamento em consultório, com gel mais concentrado e sessões mais rápidas; e o método misto, que combina os dois procedimentos. O importante é que todos devem ser realizados com indicação e supervisão de um cirurgião-dentista, que avaliará, de forma individualizada, qual procedimento é mais adequado para cada paciente.
“O clareamento caseiro tem ação gradual e menor risco de sensibilidade. Já o método em consultório utiliza concentração maior de gel, proporcionando resultado mais rápido, geralmente em menos sessões, mas associado, na maioria das vezes, há uma maior sensibilidade. No método misto, o paciente realiza uma sessão no consultório e continua o tratamento em casa. A escolha do método partirá do cirurgião-dentista e dependerá das condições verificadas durante a anamnese e avaliação clínica”, explica Deborah Stona.
Cuidados durante e após o clareamento
Durante o processo de clareamento, um dos pontos a serem observados é a possibilidade de os dentes apresentarem a chamada sensibilidade transitória, que deverá desaparecer ao final das sessões. Entre as opções de clareamento, a que pode gerar maior sensibilidade é a realizada no consultório, devido à maior concentração do gel. Nesses casos, o cirurgião-dentista pode realizar tratamentos prévios de combate à sensibilidade, ou logo após as sessões. Já nos métodos caseiro e misto, a tendência é que não haja sensibilidade, pois os géis têm concentração menor.
Além disso, é fundamental que durante o tratamento de clareamento o paciente siga as orientações do cirurgião-dentista à risca para garantir que sejam alcançados os melhores resultados. “Após o clareamento, é comum que os pacientes acreditem que precisam seguir restrições alimentares intensas, como a chamada “dieta branca”. Porém, essa é uma questão que precisa ser desmistificada. Recomenda-se apenas evitar alimentos muito ácidos em caso de sensibilidade”, pontua Deborah Stona.
Cor natural é sinônimo de sorriso saudável
A conselheira federal Bianca Zambiasi pondera ainda que outro ponto a ser observado é a cor natural do dente. Ela destaca que o cirurgião-dentista deve conscientizar o paciente de que o sorriso não terá uma aparência saudável com dentes em uma tonalidade branca exagerada, além do que o resultado do clareamento depende de cada organismo. Desta forma, é preciso alinhar as expectativas antes de o tratamento ser iniciado.
“O clareamento não altera o substrato dental, apenas remove os pigmentos acumulados, fazendo com que os dentes retomem sua cor natural. Mas não é possível prever com exatidão qual será a cor final. Por isso, o resultado nunca será aquele ‘branco artificial’ amplamente divulgado em imagens editadas na internet e nas redes sociais, essa não é uma expectativa realista. O importante é que o paciente esteja ciente de que a busca será sempre por um sorriso de aparência saudável e natural”, finaliza Bianca.
*Com informações do CFO.





